Tratamentos
Doença de Perthes
O que é
A Doença de Legg-Calvé-Perthes, ou simplesmente Doença de Perthes, é uma condição que afeta a articulação do quadril em crianças. Ela acontece quando o fluxo sanguíneo para a cabeça do fêmur (a “bolinha” que se encaixa no quadril) é temporariamente interrompido. Essa falta de irrigação leva à necrose óssea, ou seja, à morte de células do osso.
Com o tempo, o corpo tenta reparar essa área, mas nesse processo a cabeça do fêmur pode enfraquecer, achatar ou se deformar.
É uma condição rara, que costuma aparecer entre os 4 e 10 anos de idade, sendo mais frequente em meninos, mas geralmente mais grave em meninas. Em 10 a 15% dos casos, pode atingir os dois quadris.
Apesar de séria, quando identificada precocemente e acompanhada por um ortopedista pediátrico, muitas crianças conseguem recuperar bem a função do quadril.
Os sintomas podem surgir de forma discreta, por isso é comum que a doença demore a ser diagnosticada. Os sinais mais frequentes incluem:
- Mancar ou andar diferente, mesmo sem dor intensa.
- Dor no quadril, que pode irradiar para a coxa ou para o joelho.
- Rigidez e limitação de movimento no quadril.
- Dor que piora com atividade física e melhora com o repouso.
- Espasmos musculares ou diferença na forma de andar.
O diagnóstico é feito pelo ortopedista pediátrico com base na avaliação clínica e em exames de imagem. As radiografias são fundamentais para confirmar a doença e avaliar a extensão do dano, e em alguns casos pode ser necessária uma ressonância magnética.
Orientações práticas
O tratamento tem como objetivo principal preservar a forma da cabeça do fêmur e manter o quadril funcionando bem. Ele varia conforme a idade da criança, a fase da doença e a gravidade do quadro.
- Tratamento não cirúrgico: em crianças mais novas ou em casos leves, pode incluir observação regular, uso de muletas para reduzir a carga, órteses, gesso ou fisioterapia para preservar a mobilidade do quadril.
- Tratamento cirúrgico: pode ser necessário em casos mais graves ou quando há deformidades. Entre as opções estão procedimentos para reposicionar o osso (osteotomia), alongar tendões (tenotomia) ou o uso de fixadores externos para proteger a articulação.
Para os pais, algumas recomendações importantes:
- Seguir as orientações médicas sobre restrição de atividades e fisioterapia.
- Observar possíveis mudanças na marcha ou sinais de dor.
- Comparecer às consultas de acompanhamento, já que a doença pode evoluir por anos e exige monitoramento contínuo.
Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitas crianças com Doença de Perthes podem crescer ativas, manter a mobilidade do quadril e evitar complicações como a artrose precoce.