Tratamentos

Deformidades congênitas e adquiridas

As deformidades dos membros podem ser congênitas (quando já estão presentes no nascimento) ou adquiridas (quando surgem ao longo da infância ou adolescência). Elas podem afetar braços, pernas e articulações, variando de alterações leves que não causam impacto no dia a dia até quadros mais complexos que precisam de tratamento.

É importante entender que algumas deformidades são passageiras e desaparecem naturalmente com o crescimento da criança. Outras, porém, precisam ser acompanhadas e, em determinados casos, corrigidas para garantir um desenvolvimento saudável e prevenir complicações no futuro.

Alguns exemplos de deformidades:

  • Deformidade em Varo (pernas arqueadas) – quando os joelhos ficam afastados e os pés mais próximos.

  • Deformidade em Valgo (joelhos juntos) – quando os joelhos se tocam e os pés ficam afastados.

  • Antecurvato e Retrocurvato – quando a perna se curva para frente ou para trás em excesso.

  • Deformidades rotacionais – quando os pés ficam muito virados para dentro ou para fora, alterando a marcha.

  • Deformidades congênitas específicas – como Hemimelia (ausência parcial de ossos), Pseudoartrose da Tíbia ou Artrogripose (rigidez nas articulações).

Essas alterações podem afetar tanto os membros inferiores (pernas), com maior impacto no caminhar e na distribuição do peso, quanto os membros superiores (braços e antebraços), que geralmente têm impacto mais funcional do que de carga.

Na prática, muitas deformidades são percebidas pelos pais quando notam diferenças na postura, no alinhamento das pernas ou dos braços, na marcha da criança ou até em detalhes como pregas assimétricas nas coxas. Em alguns casos, podem ser identificadas já na maternidade ou durante consultas de rotina com o pediatra.

O ortopedista pediátrico avalia o tipo de deformidade por meio de exame clínico e exames de imagem, como radiografias ou ultrassonografias. É ele quem diferencia alterações próprias do crescimento — que tendem a se corrigir naturalmente — daquelas que precisam de intervenção. Entre os sinais de alerta que merecem atenção estão:

  • dificuldade para andar ou correr;

  • dor persistente;

  • diferença no comprimento ou no formato dos membros;

  • marcha alterada ou claudicante (mancar).

Importante:

 nem toda deformidade é motivo de preocupação imediata, mas somente o especialista pode diferenciar as que tendem a se corrigir naturalmente daquelas que precisam de acompanhamento mais próximo ou de intervenção.

Orientações:

O acompanhamento precoce com o ortopedista pediátrico é fundamental. Em muitos casos, o tratamento envolve apenas observação, fisioterapia ou pequenas correções durante o crescimento. Já em situações mais graves, pode ser necessário recorrer a cirurgias, como osteotomias (correção óssea), epifisiodeses (modulação do crescimento) ou uso de fixadores externos.

Para os pais, algumas orientações importantes são:

  • Observar atentamente a marcha e o desenvolvimento da criança.

  • Seguir as recomendações médicas quanto a exercícios, órteses ou adaptações.

  • Entender que, quando indicado, o tratamento cirúrgico tem como objetivo corrigir o eixo dos membros, prevenir dores e degenerações futuras, como a artrose.

  • Manter consultas regulares para que o especialista acompanhe a evolução do crescimento.

Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, é possível garantir que a criança cresça com mais qualidade de vida, mobilidade e confiança.