Tratamentos
Epifisiolistese proximal do fêmur
O que é
A epifisiolistese proximal do fêmur (EEPF), também chamada de escorregamento epifisário, é uma condição que afeta a articulação do quadril em crianças e adolescentes, geralmente entre os 10 e 16 anos.
Ela acontece quando a cabeça do fêmur (a “bolinha” do osso da coxa) desliza para trás em relação ao colo do fêmur, como se fosse uma bola de sorvete escorregando da casquinha.
Essa alteração compromete a estabilidade do quadril e pode causar dor, limitação de movimento e alterações na forma de andar.
Quem é mais afetado
- Adolescentes em fase de crescimento acelerado (estirão da puberdade).
- Meninos entre 12 e 16 anos.
- Crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade.
- Pacientes com doenças endócrinas, como hipotireoidismo, ou alterações metabólicas.
- Casos menos frequentes podem estar relacionados a fatores genéticos ou raciais.
Como é identificada
A EEPF pode se desenvolver de forma lenta e progressiva ou, em alguns casos, após um trauma leve. Os principais sinais que pais e cuidadores devem observar incluem:
- Dor no quadril, que pode irradiar para a coxa ou até para o joelho (um detalhe que muitas vezes atrasa o diagnóstico).
- Dificuldade para se movimentar, especialmente ao flexionar o quadril.
- Mancar ou andar diferente, com o pé do lado afetado virado para fora.
- Rigidez articular e limitação para abrir ou girar a perna.
O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, principalmente o raio-X do quadril. Em situações específicas, podem ser usados exames complementares, como tomografia ou ressonância magnética.
Orientações práticas
Receber o diagnóstico de EEPF pode assustar, mas é importante saber que existe tratamento eficaz.
- O tratamento é sempre cirúrgico, com o objetivo de estabilizar a cabeça do fêmur e impedir que o escorregamento piore.
- O procedimento mais comum é a fixação in situ, em que um parafuso é colocado para segurar a cabeça do fêmur no lugar.
- Em casos mais graves (quando o paciente não consegue nem apoiar o pé no chão), pode ser necessária uma cirurgia maior, chamada redução aberta, para reposicionar o osso.
- Em alguns pacientes, o ortopedista pode recomendar também a fixação preventiva do quadril oposto, já que existe risco da condição se repetir do outro lado.
Por que o tratamento é importante?
O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quando tratado a tempo, o quadril pode manter boa função e permitir que a criança ou adolescente leve uma vida ativa. Sem o tratamento adequado, a EEPF pode causar complicações sérias, como:
- Necrose da cabeça do fêmur (morte do tecido ósseo por falta de circulação).
- Condrólise (degeneração da cartilagem articular).
- Deformidades permanentes no quadril, que aumentam o risco de artrose precoce.
Com acompanhamento contínuo e fisioterapia após a cirurgia, é possível recuperar a mobilidade e prevenir limitações no futuro.
Se o seu filho apresenta dor persistente no quadril ou no joelho, alterações na marcha ou dificuldade de movimentar a perna, procure um ortopedista pediátrico o quanto antes. O diagnóstico precoce é a chave para garantir um desenvolvimento saudável e uma boa qualidade de vida.