Tratamentos
Pé torto congênito
O Pé Torto Congênito (PTC) é uma deformidade estrutural dos pés que está presente desde o nascimento e afeta ossos, músculos, tendões e ligamentos. Nessa condição, o pezinho do bebê fica voltado para baixo e para dentro, como se estivesse “torcido”. Em muitos casos, a alteração é bilateral (compromete os dois pés) e, na maioria das vezes, é diagnosticada logo após o parto. O PTC é uma das deformidades ortopédicas mais comuns da infância, afetando cerca de 1 a cada 1.000 recém-nascidos, com maior frequência em meninos.
É importante destacar que o pé torto congênito não é apenas uma alteração postural. Diferente do chamado pé torto posicional — que é mais flexível e tende a se corrigir espontaneamente com o tempo — o PTC é rígido, persistente e exige tratamento especializado para garantir que a criança cresça com pés funcionais e sem limitações.
Como é identificado
O diagnóstico pode começar ainda na gestação, por meio da ultrassonografia morfológica realizada por volta da 20ª semana, que pode sugerir a deformidade. Porém, a confirmação só acontece após o nascimento, com o exame físico realizado pelo pediatra ou ortopedista pediátrico.
As principais caracterisiticas do Pé Torto Congênito são:
- Cavo: aumento do arco da planta do pé, deixando-o mais encurvado.
- Aduto: a parte da frente do pé (antepé) está desviada para dentro.
- Varo: o calcanhar também aponta para dentro, reforçando a torção.
- Equino: o pé fica voltado para baixo, como se o bebê estivesse “apontando os dedos”.
Além dessas quatro alterações, uma característica marcante é a rigidez articular, que impede a movimentação normal do pezinho. É justamente essa rigidez que diferencia o PTC de alterações posturais benignas. Não há necessidade de exames de imagem para o diagnóstico, já que a avaliação clínica é suficiente.
Orientações práticas
O diagnóstico de PTC pode assustar no início, mas a boa notícia é que hoje existe um tratamento seguro, eficaz e capaz de oferecer ótimos resultados funcionais. O método mais utilizado é o método de Ponseti, considerado o padrão-ouro mundial para o tratamento do PTC. Ele envolve:
- Manipulações e gessos seriados – o pezinho é manipulado suavemente e imobilizado com gesso que vai da coxa até o pé. Os gessos são trocados semanalmente, em média de 3 a 5 vezes, até a correção da maior parte da deformidade.
- Tenotomia do Tendão de Aquiles – em muitos casos, após os gessos, é necessária uma pequena cirurgia, realizada com anestesia local, para corrigir a posição final do pé (equino). O procedimento é rápido e pouco invasivo.
- Uso da órtese de abdução – após a correção inicial, o bebê deve usar uma órtese (conhecida como “botinhas de Denis Browne” ou “órtese de Ponseti”), que mantém os pés na posição correta. Ela deve ser usada 23 horas por dia nos primeiros 3 meses e depois, principalmente durante o sono, até os 4 anos de idade.
O sucesso do tratamento depende tanto do acompanhamento médico quanto da adesão dos pais ao uso correto da órtese. Quando o método é seguido adequadamente, os pés tornam-se flexíveis, funcionais e sem dor, permitindo que a criança cresça, brinque, corra e tenha uma vida completamente ativa.
O Pé Torto Congênito é uma condição relativamente comum, mas que conta com tratamento altamente eficaz quando iniciado precocemente. Com o acompanhamento adequado, os resultados são excelentes e a criança pode se desenvolver normalmente, sem limitações físicas.
Se o seu bebê recebeu o diagnóstico de PTC ou você percebeu alterações nos pezinhos ao nascimento, procure um ortopedista pediátrico para avaliação e início imediato do tratamento.